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Hospital de Cirurgia recebe grupo nacional especializado para cirurgia de malformação rara em criança

há 19 minutos
3 min de leitura

Pela primeira vez, o HC realizou procedimento para correção de extrofia de bexiga por meio de equipe voluntária que percorre o país para tratar crianças com a condição



Uma condição congênita rara, que atinge cerca de um a cada 50 mil nascimentos, mobilizou uma equipe de cirurgiões pediátricos de diferentes partes do país no Hospital de Cirurgia (HC). No último sábado, 3, a instituição filantrópica realizou, pela primeira vez em sua história, uma cirurgia para correção de extrofia de bexiga pela Técnica de Kelly. O paciente, uma criança do sexo masculino, foi submetido ao complexo procedimento, que reconstrói os tratos urinário e genital com o objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida.


A cirurgia ganha significado especial por acontecer em outubro, mês dedicado às crianças, e no mesmo ano em que o Cirurgia retomou a assistência pediátrica após 16 anos. Reativado em março, o serviço conta com uma UTI Pediátrica construída do zero, com leitos modernos e humanizados, além de uma enfermaria. A estrutura é voltada principalmente ao atendimento de crianças e adolescentes que necessitam de cirurgias de média e alta complexidade, entre elas procedimentos na área de Urologia.


Técnica rara e equipe especializada

A extrofia de bexiga é uma malformação congênita rara e complexa, na qual o desenvolvimento dos sistemas urinário e genital não se completa adequadamente. Para tratar o menino sergipano, o HC recebeu cinco médicos do Grupo Cooperativo Brasileiro Multiinstitucional para o Tratamento de Extrofia de Bexiga pela Técnica de Kelly, conhecido como Grupo Kelly. Criada em 2019, a iniciativa reúne voluntariamente cirurgiões pediátricos altamente especializados que percorrem o país para oferecer o tratamento a crianças com a condição.


A técnica utilizada leva o nome do urologista pediátrico australiano Justin Kelly, que desenvolveu o método na década de 1970. Por exigir alta especialização e experiência dos cirurgiões, o procedimento é realizado por poucos centros no mundo. No Brasil, o Grupo Kelly se especializou na aplicação da técnica e na mobilização de profissionais de diferentes instituições para levar o tratamento aos locais onde estão as crianças, evitando que a distância dos grandes centros seja uma barreira para o acesso à assistência especializada.


Coordenador do grupo, o cirurgião e urologista pediátrico Dr. Nicanor Macedo explica a dimensão do tratamento. “Faço parte do Grupo Kelly. Esse grupo foi criado em 2019. Nós estamos no oitavo ano para tratar essas crianças que nascem com defeito congênito, ou seja, um erro na formação, onde o aparelho genital e urinário não é finalizado pela natureza. Temos que reconstruir todo o trato urinário e genital para que a criança tenha uma vida normal”, disse.


O urologista pediátrico Dr. Luiz Alberto Araújo, que também compõe a equipe, chama atenção para a raridade da condição e para o impacto do procedimento na vida dos pacientes. “A extrofia de bexiga, além de complexa, é extremamente rara. É de um para 50.000 nascimentos. Esse procedimento traz dignidade e uma qualidade de vida bem melhor para esses pacientes”, afirmou.


Medicina e humanidade

Além de Dr. Nicanor Macedo e Dr. Luiz Alberto Araújo, participaram da cirurgia as médicas Ana Gabriela Martins, Simone Oliveira e Vilma Rezende. Para a cirurgiã pediátrica Dra. Vilma Rezende, a mobilização dos profissionais traduz o caráter filantrópico da iniciativa. “Esse grupo é de voluntários, percorrem todo o país e hoje é o dia de Sergipe. Nossos colegas vieram para a gente fazer a correção da extrofia de um paciente sergipano”, destacou.


A cirurgiã pediátrica Dra. Ana Gabriela Martins também destacou a dimensão humana do trabalho. “Eles trazem para nós, médicos, o que a gente chama de uma realização pessoal, acima de qualquer coisa. É quando a medicina encontra, de fato, a humanidade, porque a gente encontra no filho de uma mãe de um paciente um um possível filho nosso também. Quando a gente encontra a possibilidade de poder tratar com menos intervenções e com mais qualidade, a gente fica bem animado. Então, é uma alegria muito grande estar no Hospital Cirurgia e ver a transformação que esse hospital passou”, ressaltou.


Filantropia no HC

Para a interventora judicial do Hospital de Cirurgia, enfermeira Márcia Guimarães, receber a equipe especializada e possibilitar a realização do procedimento reforça o avanço da assistência pediátrica e também o caráter filantrópico da instituição. “É motivo de muito orgulho para o nosso Cirurgia receber profissionais que, de forma voluntária, percorrem o país levando um tratamento tão especializado a crianças que precisam. Esse trabalho se encontra com a própria essência filantrópica do nosso HC, de cuidar e ampliar o acesso à saúde. Retomamos a Pediatria depois de 16 anos justamente para abrir novas possibilidades de assistência de média e alta complexidade aos nossos pequenos pacientes. No mês das crianças e no ano do nosso centenário, contribuir para dar mais qualidade de vida a uma criança torna esse momento ainda mais especial”, destacou.

 
 
 

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